28 de Setembro, 2026
Arrancou a formação contínua de professores do Capacitar para Educar
Esta segunda-feira, 28 de setembro, cerca de 50 docentes das regiões de Bafatá e Gabú, na Guiné-Bissau, começaram a formação contínua de professores do projeto Capacitar para Educar. As sessões do Módulo I decorrem em simultâneo em Contuboel e em Gabú, e são o primeiro passo de um percurso que vai acompanhar estes docentes durante todo o ano letivo 2026/2027.
O projeto Capacitar para Educar é promovido pela Sol sem Fronteiras em parceria com a Cáritas Diocesana de Bafatá, com quem já trabalhamos desde 2016 e que conhece bem ambas comunidades, e conta com o apoio do BPI | Fundação “la Caixa”.
Quem participa nestas formações?
Os participantes na formação contínua de professores ensinam em escolas apoiadas pela Cáritas Diocesana de Bafatá e noutras escolas da região, do pré-escolar ao 3.º ciclo. Os percursos são muito diferentes: há quem esteja no primeiro ano de carreira e quem ensine há 20 anos, e há quem tenha formação superior e quem tenha concluído o 12.º ano.
Esta diversidade é comum na Guiné-Bissau, onde há um número considerável de professores a ensinar sem formação pedagógica adequada ou atualizada. Assim sendo, as reformas do sistema educativo têm apostado na formação inicial e contínua para responder a isso, pois muitos aprenderam a ensinar na prática, com poucos materiais didáticos e nas salas de aula e as estratégias mais habituais continuam a ser a repetição e a memorização.
Neste contexto, o projeto Capacitar para Educar procura dar a cada professor, seja qual for o seu percurso, ferramentas para preparar aulas em que os alunos participam e constroem o que aprendem.
Módulo I: planear o trabalho docente
A formação contínua de professores arranca com o Módulo I – Planeamento do Trabalho Docente em duas escolas em simultâneo: no Centro Educacional Irmã Valdelícia, em Contuboel, e no Jardim Escola Santa Josefina Bakhita, em Gabu.
Durante as manhãs, decorre a componente mais teórica da formação, enquanto que à tarde há oficinas práticas, em que os professores aplicam o que aprenderam de manhã à realidade das suas turmas. Os temas vão da diferença entre instruir e educar às fases da planificação de uma aula, passando pela forma de definir objetivos de aprendizagem claros ou como organizar o ano letivo em planos trimestrais, mensais e semanais.
Além disso, as sessões dos primeiros dias recebem a visita de inspetores do Instituto Nacional para o Desenvolvimento da Educação (INDE). Os inspetores vão estar nas duas escolas onde decorre a formação, em Contuboel e em Gabú, para acompanhar o trabalho desenvolvido e verificar se a formação cumpre os requisitos para ser acreditada na Guiné-Bissau. Com a acreditação, as horas de formação passam a ser oficialmente reconhecidas.
Formadores locais e voluntários fazem a formação acontecer
A formação é conduzida por dois formadores guineenses que conhecem o sistema educativo do país por dentro, um a partir da sala de aula e da formação contínua de professores e o outro a partir da conceção dos programas e do currículo nacional. Lamine Soncó é mestre em Ciências da Educação e professor de Português no Liceu Nacional Kwame Nkrumah, em Bissau, onde preside ao conselho técnico-pedagógico. Tem experiência em formação contínua de educadores de infância e de professores do ensino básico. Por sua vez, Luís Blak é doutorado em Ciências da Educação e professor na Universidade Amílcar Cabral. Foi responsável pelos programas de formação do INDE e coordenou a reforma curricular do ensino básico.
A experiência de ambos formadores e a sua ligação ao sistema educativo guineense permite que a formação esteja alinhada com o currículo nacional e que as práticas trabalhadas continuem nas escolas muito depois do fim do projeto.
A equipa conta ainda com o apoio da Cláudia, voluntária da Sol sem Fronteiras. Com um perfil de gestão, a Cláudia já conhece a Guiné-Bissau, porque no ano passado acompanhou outro projeto da Solsef no país e está a assegurar a organização dos espaços e a logística para que os formadores se possam concentrar nas sessões.
Um percurso de 90 horas ao longo do ano letivo
O Capacitar para Educar prevê 90 horas de formação presencial, em três módulos, entre setembro de 2026 e junho de 2027. Depois do planeamento docente, seguem-se as metodologias ativas e a avaliação formativa, e por fim a educação inclusiva e a relação entre escola, família e comunidade.
A formação é complementada por acompanhamento em sala de aula, por oficinas de criação de materiais pedagógicos e pela preparação de uma equipa local de professores formadores, que vai dar continuidade a este trabalho depois do projeto.
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