7 de Abril, 2026
Dança educativa como ferramenta de inclusão no projeto Crescer com Direitos
Entre janeiro e março, todas as turmas da Escola Básica nº1 da Póvoa de Santa Iria participaram nos laboratórios de convivência do projeto Crescer com Direitos. Ao todo, foram três sessões dinamizadas pela artista Marta Coutinho que utilizaram a dança educativa como recurso e que serviram para trabalhar com as crianças questões como a empatia, a interculturalidade, a criatividade e o trabalho em equipa.
Da descoberta individual ao movimento coletivo
Para trabalhar a questão da empatia e da convivência, a primeira sessão começou com uma pergunta que as crianças quiçás nunca tinham ouvido numa sala de aula: como te moverias se não tivesses joelhos? E se não tivesses cotovelos? Esta pergunta foi o ponto de partida para cada criança explorar diferentes formas de se mover, criando os seus próprios gestos e observando depois os dos colegas com curiosidade.
De seguida, foram convidadas a colocar-se no lugar do outro, literalmente. Deitaram-se no chão enquanto um colega desenhava o seu contorno. Depois, inverteram os papéis e cada uma teve a experiência de se deitar dentro do contorno de outro colega.
A sessão terminou com toda a turma a mover-se em conjunto pelo espaço, procurando não se magoar nem magoar os outros. Aqui, este exercício que parecia simples na forma, foi um recurso muito útil para trabalhar a atenção, o cuidado e a consciência do outro.
Em suma, nesta primeira sessão, a dança educativa revelou-se um recurso muito valioso para trabalhar a empatia e a convivência através da experiência direta e do corpo em movimento.
As danças do mundo nesta escola
Na segunda sessão, usando também a dança educativa como base, a artista Marta Coutinho trabalhou com as crianças a interculturalidade a partir do movimento. As crianças aprenderam danças tradicionais de quatro países: a dança de Bollywood do festival Holi, da Índia; a “dança da sopa” em Mirandês, de Portugal; La Raspa, do México; e a Tigrina, da Eritreia.
No final, cada turma criou a sua própria dança tradicional a partir de todos os ritmos aprendidos. Ouseja, uma coreografia que só existe porque cada cultura contribuiu e que só aquela turma, após aduirir esses conhecimentos das diferentes culturas, podia ter feito. Com esta sessão, trabalhámos um dos objetivos centrais do projeto, que é mostrar que numa escola com crianças de muitas origens diferentes, a diversidade não é um obstáculo, mas o que torna o resultado único.
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