23 de Julho, 2026

Guiné-Bissau: formação de professores em Contuboel e Gabú arranca em setembro

A formação de professores em Contuboel e Gabú, na Guiné-Bissau, que a Solsef está a preparar no âmbito do projeto Capacitar para Educar tem calendário fechado desde 18 de junho. Foi nesse dia em que os formadores, Lamine Sonco e Luís Blak, acompanhados pelo gestor de projeto local, Edilson Correia Landim, foram às duas localidades conhecer pessoalmente os professores e as direções das escolas envolvidas. Durante a visita, os formadores conheceram as escolas, as instalações onde serão realizadas as formações, as diretoras e, em suma, as pessoas com que os formadores vão passar os próximos meses.

No âmbito do Capacitar para Educar, da Solsef em parceria com a Cáritas Diocesana de Bafatá e apoiado pelo BPI | Fundação “la Caixa”, a formação arranca em setembro e vai chegar a 50 professores e, graças a isso, a cerca de 350 alunos. Com isto pretendemos dar resposta a um problema muito comum na Guiné Bissau e, particularmente, em Bafatá e Gabú, onde muitos professores que dão aulas todos os dias há muito que não recebem formação pedagógica formal.

90 horas de formação de professores em Contuboel e Gabu até 2027

As aulas vão decorrer em três módulos de 30 horas cada, e chegam ao corpo docente e às direções do Centro Educacional Irmã Valdelícia (CEIV), do Jardim Escola Santa Josefina Bakhita e de outras escolas da região. O primeiro arranca já na última semana de setembro, simultaneamente em Contuboel e em Gabú, e foca-se no planeamento do trabalho docente. A seguir, no mês de janeiro, comecará o segundo módulo em Gabú, antes de passar para Contuboel, que trabalhará metodologias ativas de ensino e avaliação formativa com os alunos. Por fim, o terceiro fechará a formação entre março e maio de 2027, dedicado à educação inclusiva e à participação comunitária.

Ao todo, professores e formadores vão passar mais de 90 horas em sala com um currículo que está a percorrer o processo de reconhecimento oficial junto do Instituto Nacional para o Desenvolvimento da Educação (INDE), do Ministério da Educação Nacional e Ensino Superior da Guiné-Bissau.

Depois da sala de formação

No entanto, as atividades de formação de professores em Contuboel e Gabu não ficam pela implementação dos módulos. A seguir a isso, os professores participantes vão ter acompanhamento direto nas suas próprias aulas com mentorias personalizadas que os formadores Lamine e Luís estão agora a desenhar, e que ainda vai passar por validação antes de arrancar. Em paralelo, nas próprias formações, os 50 professores vão desenvolver em conjunto os seus materiais didáticos com planos de aula, fichas, cartazes e outros materiais adaptados à realidade das suas escolas. No fim, todo esse trabalho é compilado num kit que ficará disponível a outras escolas da região, para que todo esse esforço continue a dar os seus frutos após o fim do projeto.

A sustentabilidade é, aliás, um objetivo do projeto Capacitar para Educar. Entre os 50 professores formados, seis vão ser escolhidos para se tornarem, eles próprios, formadores locais, com capacitação intensiva em facilitação, planeamento pedagógico e avaliação, e vão desenhar, já com a Solsef, um plano para replicar esta formação noutras escolas da região depois de o projeto terminar.

Quase dez anos de trabalho em Bafatá

O projeto Capacitar para Educar soma-se a quase dez anos de colaboração entre a Solsef e a Cáritas de Bafatá, que arrancou em 2016 com o projeto Manuais para Bafatá e se foi alargando a outras iniciativas (Aprendizagem Inclusiva, Capacitação Pedagógica, Nutrição e Higiene, Qualificação Pedagógica) até à assinatura de um protocolo de colaboração formal em 2020.

Essa história conta a favor do projeto, uma vez que a Cáritas conhece de perto as escolas e as comunidades da região, o que ajudou a identificar quais precisavam mais de apoio e a moldar a formação às suas necessidades reais. Além disso, as duas organizações já testaram esta forma de trabalhar noutros projetos na região, sabem também o que resulta em contextos com poucos recursos como apostar cedo na criação de uma equipa de formadores locais, para que o conhecimento fique na comunidade muito depois de o projeto terminar.

Este novo projeto arrancou em fevereiro e prolonga-se até julho de 2027.

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