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Capacitando Futuro | Acesso à educação sem renunciar à qualidade

Apresentam-se vários desafios perante o objetivo de fomentar o acesso à educação sem renunciar à qualidade. Face à legítima revindicação de "defender a educação para todos e todas”, apresenta-se um conglomerado de variáveis desafiantes (sociais, políticas, económicas, éticas e culturais) que impactam indiscutivelmente não só na consecução dos objetivos como também na obtenção de parâmetros de qualidade no que diz respeito às metas a atingir. O sistema de "Cooperação Internacional para o Desenvolvimento”, concretamente no setor da Educação, é um "laboratório de experiências”, que, através de diferentes agentes (governamentais e não governamentais), procura vencer visões deterministas mediante perspetivas inovadoras e prismas micro e macroestruturais.


É na certeza de que as experiências de sucesso, em relação ao setor da Educação, devem ser replicadas, que a Sol sem Fronteiras (SOLSEF) e a ADPP Guiné-Bissau definiram o projeto Capacitando Futuro, cofinanciado pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., com o objetivo de ampliar as capacidades da ADPP Escola Vocacional-Bissorã para, ao mesmo tempo, multiplicar o seu impacto na formação de jovens profissionais (independentemente das suas capacidades aquisitivas) na Guiné-Bissau.


No ano de 2018, a ADPP Escola Vocacional - Bissorã formou 91 novos técnicos profissionais (67 rapazes e 24 raparigas) em seis áreas distintas e contou com o apoio do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural através do Projeto do Desenvolvimento de Cadeias de Valor (PDCV) para a atribuição de 21 bolsas no curso de "Agropecuária” para jovens em situação de vulnerabilidade socioeconómica. Também em 2018, um particular apoiou economicamente a formação de 2 jovens que frequentaram o curso de "Construção Civil”. Desta forma, em 2018 a ADPP Escola Vocacional - Bissorã integrou 23 alunos bolseiros (12 raparigas e 11 rapazes).


Em 2019, a ADPP Escola Vocacional-Bissorã, no âmbito do projeto Capacitando Futuro, reforçou o apoio aos jovens em situação de risco e carência socioeconómica, atribuindo bolsas destinadas aos três novos cursos com duração de 6 meses e para os cursos de 11 meses já existentes.






Através do projeto Capacitando Futuro, no que diz respeito aos cursos de 11 meses, foram atribuídas bolsas a 5 jovens (4 rapazes e 1 rapariga) nos seguintes cursos: "Comércio e Administração” (1), "Eletricidade” (2), "Bombas de Água e Canalização” (1) e "Construção Civil” (1). Em relação aos novos três cursos semestrais, foi possível atribuir 29 bolsas (27 rapazes e 2 raparigas) distribuídas da seguinte forma: "Corte e Costura” (3), "Informática Básica, Manutenção e Reparação de Computadores” (11) e "Mecânica de Bicicleta e Motorizada” (15). Deste modo, em 2019 a ADPP Escola Vocacional-Bissorã está a apoiar 34 alunos bolseiros através do projeto Capacitando Futuro.


Importa referir que através dos números apresentados é possível constatar que o projeto Capacitando Futuro está a criar as condições necessárias para a construção de uma rede de parceiros que permitam ampliar o número de bolsas de estudo atribuídas aos alunos da ADPP Escola Vocacional-Bissorã, dando ao projeto a possibilidade de integrar jovens em situação socioeconómica vulnerável e com dificuldades no acesso à educação.


Por outro lado, a ADPP Escola Vocacional-Bissorã, no ano 2019, irá também contar com o apoio das seguintes entidades e projetos para financiar bolsas para os alunos mais carenciados:

 

- Organização Internacional de Migrações (OIM): atribuição de 34 bolsas para cursos de 2 meses;
 - Ministérios da Agricultura e Desenvolvimento Rural através do projeto do PDCV: atribuição de 20 bolsas para os cursos de 11 meses de "Agropecuária”; atribuição de 30 bolsas para cursos de 5 meses de "Agropecuária” e 20 bolsas para o curso de 4 meses e meio de "Mecanização de Máquinas Agrícolas”;
Manitese: atribuição de 10 bolsas para os cursos de 11 meses: "Comércio e Administração” (1), "Energia Solar e Eletricidade Básica-Nível I” (4), "Bombas de água e Canalização” (1), "Construção Civil” (1) e "Agropecuária” (3);
- Financiamento interno da ADPP Guiné-Bissau para a criação de um novo curso de "Energia Solar e Eletricidade-Nível II” para integrar 10 alunos bolseiros.

 

 

Face aos números apresentados, é possível constatar que a escola em 2018 apoiou 23 alunos bolseiros e em 2019 está a apoiar 143 alunos bolseiros (99 rapazes, 24 raparigas e 20 bolsas pendentes de ser atribuídas). Estes números reforçam a necessidade de existência e pertinência de um Banco de Bolsas para permitir aos jovens guineenses o acesso à formação profissional de qualidade.


O projeto Capacitando Futuro contemplou o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável - ODS que diz respeito à "igualdade de acesso para todos os homens e mulheres à educação técnica, profissional” (meta 4.3.), salvaguardando uma quota de 50% para mulheres nos cursos de "Informática Básica, Manutenção e Reparação de Computadores” bem como para "Mecânica de Bicicleta e Motorizada”, enquanto que no curso de "Corte e Costura” destinou-se uma quota de 60% para as mulheres. Porém verificou-se um número bastante reduzido de mulheres a integrarem os novos três cursos. Dos 45 alunos integrados nos 3 cursos, apenas 20% são do sexo feminino (N=9) e os restantes 80% são do sexo masculino (N=36).


Verificou-se um número muito reduzido de mulheres no acesso à formação profissional principalmente na área da informática e mecânica. Para justificar estes números é possível apresentar as seguintes razões:


- O acesso à educação e priorização da formação das mulheres é desvalorizado por algumas etnias;

- O facto de as áreas de formação não irem ao encontro das expetativas profissionais das mulheres;

- Os cursos estarem a ser implementados pela primeira vez na ADPP Escola Vocacional-Bissorã.

 

A igualdade de género, no acesso à formação profissional, é uma disciplina pendente não só na Guiné-Bissau. A quebra de estereótipos no imaginário coletivo e o fato de proporcionar contextos de segurança para o desenvolvimento educativo das mulheres, são apenas alguns dos desafios pendentes.


Sofia Tenreiro, responsável pelo acompanhamento do projeto Capacitando Futuro em terreno

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