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História de vida: Cardoso Bernardino Espírito Santo

A história de vida é uma rubrica da Sol sem Fronteiras que pretende dar a conhecer histórias sobre pessoas reais que se cruzam com os participantes dos projetos de voluntariado internacional, apresentando-as sob o ponto de vista da cooperação para o desenvolvimento. A Ana Cunha foi em Ponte durante o passado mês de agosto a Ribeira Afonso (São Tomé e Príncipe), e o história do Sr. Bernardino captou a sua atenção...


"Enquanto caminhávamos pelas ruas de Ribeira Afonso, ainda em fase de reconhecimento do terreno, deparei-me com uma barraquinha bem diferente. Era estreita, feita em madeira como as outras, tinha duas portas altas e lá dentro prateleiras cobertas de tecidos. Espreitei com curiosidade e aí encontrei um senhor de boné, óculos e uma fita métrica ao pescoço sentado num pequenino banco diante de uma máquina de costura antiga. Cardoso Bernardino Espírito Santo, é o nome do costureiro com 66 anos de Ribeira Afonso. Mas então, um homem a costurar? Qual será a história que existe por detrás do seu humilde sorriso perante as agulhas e linhas?


Sr. Bernardino, o costureiro de Ribeira Afonso, na sua loja.


Sr. Bernardino sempre viveu em Ribeira Afonso, cuja descreve como uma "ótima vila” e um lugar muito importante para si desde sempre. Tem quatro irmãos e frequentou a escola até à 4ª classe ao mesmo tempo que ajudava o pai na sua profissão: carpinteiro. Porém, defendia que era uma ocupação muito maçadora (andar em cima das casas, muito calor, muito sol), daí ter pedido a seu pai que o deixasse aprender a costurar.


Deste modo, define a costura como "a arte que eu agradei”, daí a ter escolhido aprender para depois exercer. Costura desde os 14 anos e trabalhou na cidade de São Tomé, enquanto estudava.


No entanto, mais tarde instalou-se em Ribeira Afonso, tendo agora o seu próprio cantinho. Diariamente recebe encomendas de toda a comunidade, desde sacos, camisas a calções muito tradicionais do povo africano. Todo o seu talento, vocação e dedicação se refletem nas peças que costura, aliás, afirma que se "senta demasiado”, trabalhando o dia inteiro sem grandes interrupções.



 Sacos do pão feitos pelo Sr. Bernardino com tecido tradicional do povo são tomense.


 

Sente-se muito feliz a exercer a sua profissão e faz um trabalho excelente, colocando a sua vida e todo o seu amor na máquina e nos tecidos. "Ter de aguentar até ao dia que Deus mandar chamar-me” é o ideal pelo qual se rege e aquele que considera um lema de vida para todos. Dedicarmo-nos àquilo de que mais gostamos e lutarmos por isso é a mensagem que Sr. Bernardino nos quer transmitir, visto que cada um de nós tem a sua própria vocação."

Ana Cunha

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