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História de vida | Elizabete Correia

A Elizabete Correia é uma adolescente de 16 anos que mora em Contuboel, na Guiné-Bissau. É uma jovem muito alegre e criativa, e está sempre prestes a participar em qualquer atividade celebrada na comunidade.


De manhã a jovem acode ao Centro Educacional Irmã Valdelícia, onde frequenta a 7ª Classe com a ajuda de uma Bolsa de Estudo. Esta Bolsa foi-lhe atribuída no âmbito do projeto Aprendizagem Inclusiva, que decorre na escola graças à parceria entre a Sol sem Fronteiras e a Congregação Santa Teresinha do Menino Jesus, e que foi cofinanciado pelo Instituto Camões I.P..Durante a tarde, a Elizabete vai até à horta comunitária situada à volta da vila, onde ajuda a mãe, a Bana.



A Elisabete a sacar água do poço na horta de Contuboel

 

O trabalho na bolanha de arroz e na horta de cebolas supõe a principal fonte de rendimentos da sua família. Junto com alguns trabalhos de mecânica realizados pelo pai da Elizabete, a renda familiar é de aproximadamente 25.000 CFA mensais, que equivalem à volta de 38€. Num país onde o ordenado mínimo está fixado em 50.000 CFA e a disparidade entre os ordenados e o custo de vida é muito grande, é fácil perceber que a família da Elizabete vive com muitas dificuldades.



É por isso que a jovem tem que ajudar a mãe nos trabalhos da horta. A Elizabete ajuda a semear as plantas e a regar enquanto estão a crescer. Como ela, quase um 40% das crianças na Guiné-Bissau ajudam as suas famílias nos trabalhos relacionados com a agricultura, o cuidado do gado, a pesca ou a produção de artesanato.



Isto é devido a vários motivos. Por um lado, tem a ver com o contexto histórico e sócio-cultural. A participação das crianças nestas atividades é vista como um processo de aprendizagem, para elas familiarizarem-se com o meio que as rodeia, e de transmissão de conhecimento, para aprenderem as profissões dos seus maiores. Por isso é difícil para a sociedade guineense, ainda hoje, contemplar o trabalho dos menores desde uma ótica negativa.



Por outro lado, o trabalho infantil também está ligado ao êxodo rural. O fluxo migratório na Guiné-Bissau faz com que os jovens abandonem as suas comunidades na procura de melhores condições de vida, afetando à mão de obra disponível.



Também os baixos rendimentos de famílias como as de Elizabete influem na necessidade de todos os elementos que as compõem colaborem na medida do possível.



O Banco de Bolsas do projeto Aprendizagem Inclusiva, do qual a Elizabete é beneficiária, é uma forma de contribuir não só para a educação das crianças, como também de forma indireta, para melhorar as condições de vida das famílias que fazem o esforço de suportar os custos das propinas. Esta semana lançámos um crowdfunding que irá contribuir para a implementação de novas bolsas no próximo ano. Aqui podes saber mais.



A Comunidade de Países de Lingua Oficial Portuguesa (CPLP) tem na sua agenda adotar medidas com a finalidade de erradicar o trabalho infantil até ao ano 2025Na Solsef continuaremos a aportar o nosso contributo, através das nossas ações na área da educação, nutrição e higiene, para conseguir alcançar este objetivo. Obrigada a todos os que nos estão a ajudar durante esta caminhada!



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