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História de vida | Rosário da Costa

O Rosário da Costa trabalha como professor de ensino primário no sector de Contuboel, na Guiné-Bissau, onde chegou em novembro de 2019. Esta região do noroeste do país foi o seu primeiro destino como profissional, depois de ter finalizado o curso na Escola de Formação de Professores "17 de fevereiro", em fevereiro do 2019.



História de Vida de Rosário da Costa
Rosário da Costa em Contuboel, em fevereiro de 2020

A adaptação à nova realidade foi o primeiro desafio para o jovem, já que a vida tranquila de Contuboel era muito diferente à movimentação de Bissau, cidade onde morou até essa altura. Contudo, o Rosário rapidamente se habituou ao novo ritmo e começou o seu trabalho como professor numa das tabancas à volta da vila de Contuboel.

O deslocamento até às tabancas nem sempre é fácil, já que podem estar bastante afastadas das vilas maiores. Por isso os professores costumam juntarem-se para partilhar o veículo e os custos. O Rosário logo viu nisto uma oportunidade e começou a aproveitar estas viagens para pedir conselhos aos seus colegas mais experientes e solucionar as dúvidas que iam surgindo.

Sempre com a vontade de melhorar a qualidade da educação dos seus alunos, também fez formações para melhorar as suas aptidões. Foi numa delas, "Integração das Necessidades Educativas Especiais em Contexto de Aula”, onde conhecemos o Rosário. Uma formação que foi implementada pela Solsef no âmbito do projeto Aprendizagem Inclusiva, desenvolvido em parceria com a Congregação Santa Teresinha do Menino Jesus e cofinanciado pelo Instituto Camões IP.

Exercia como professor apenas há uns meses quando a pandemia provocada pela COVID-19 se expandiu por todo o mundo, incluindo a Guiné-Bissau. Devido às medidas de distanciamento social, as aulas foram suspensas em março, não tendo ainda voltado a ser retomadas. Enquanto testemunha direta, pedimos ao Rosário que nos contasse em primeira pessoa está a ser este processo. Uma das suas maiores preocupações tem a ver como a falta de aulas pode influir na diminuição do tempo que as crianças dedicam ao estudo. É comum que os mais pequenos ajudem nos trabalhos domésticos ou do campo, e a falta de aulas pode vir a aumentar o número de horas que dedicam a estas tarefas em detrimento das horas a fazer os trabalhos de casa recomendados pelos professores.

Em relação ao que irá acontecer com o ano letivo após a paragem das aulas, o Rosário explicou-nos que o Governo Guineense está a trabalhar em duas hipóteses. Por um lado, estão a pensar em declarar a nulidade do ano escolar para os alunos que tinham começado as aulas no mês de fevereiro. A proposta é, por tanto, recomeçar desde o início no próximo ano escolar. Para os que já tinham realizado dois dos períodos letivos, as autoridades estão a contemplar atrasar até ao mês de setembro o último período, não ministrado por causa da pandemia.

Para finalizar a sua partilha, o Rosário também manifestou o seu desejo de voltar o quanto antes à normalidade e continuar com o seu trabalho enquanto professor, pois acredita que é um dos alicerces mais importantes para o desenvolvimento.

Desde a Solsef queremos muito agradecer ao Rosário o seu testemunho e também o empenho e motivação com que realiza o seu trabalho.


Aqui o testemunho completo:

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