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História de Vida | Sábado Gomes
A Sábado Gomes é uma jovem de 24 anos de idade. Vive em Contuboel, na Guiné-Bissau, onde chegou para trabalhar como professora de Jardim Infantil no Centro Educacional Irmã Valdelícia (CEIV). Mora numa das casas à volta da escola com o seu filho, que ali frequenta o ensino primário.

Se calhar, pela ligação da sua família com o CEIV, é que ela está tão envolvida com as ações realizadas pelas Irmãs de Santa Teresinha do Menino Jesus, responsáveis pela gestão da Escola. A Sábado é muito participativa, e tenta ajudar naquilo que é preciso. Está sempre disponível para colaborar na organização de atividades, e para pôr mãos à obra chegado o momento. Ajuda nas compras e decorações, e também faz parte da equipa de cozinha, voluntariando-se a preparar os almoços comunitários quando há atividades e celebrações. 

A Sábado, a preparar o almoço comunitário celebrado com motivo da Festa de Nossa Sehora de Lurdes, padroeira de Contuboel
A Sábado, a preparar o almoço comunitário celebrado com motivo da Festa de N. Sra. de Lurdes, 
padroeira de Contuboel

Além disso, também costuma participar como aluna nas atividades formativas propostas pelas Irmãs. A Sábado é consciente da importância da sua profissão como motor de desenvolvimento, e está sempre prestes a continuar a aprender e atualizar os seus conhecimentos. Devido a isto, inscreveu-se no curso de Integração das Necessidades Educativas Especiais no Currículo Pedagógico, implementado pela  Solsef no CEIV. Uma formação que decorreu entre janeiro e fevereiro de 2020, no âmbito do projeto Aprendizagem Inclusiva, cofinanciado pelo Instituto Camões, I.P.

A Sábado acredita muito na sua profissão, e tenta contornar as dificuldades do sistema na Guiné-Bissau. Se bem que no caso das escolas privadas geridas pelas congregações religiosas, como é o CEIV, a situação é muito diferente, o sistema educativo da Guiné-Bissau apresenta por norma geral muitas carências, devido ao baixo orçamento destinado à educação.

Isto provoca a falta de recursos materiais e humanos e afeta também as infraestruturas escolares, especialmente no sistema público de ensino. As turmas têm um número muito elevado de alunos, e ainda que variam muito de umas regiões para outras, podem chegar até 71 alunos por professor na Região de Gabú, tal como é recolhido pelo Observatório dos Direitos na publicação "Observando os Direitos na Guiné-Bissau” 

Por outro lado, os baixos ordenados dos professores e os atrasos no seu pagamento também derivam em greves muito frequentes dos docentes. Isto faz com que os anos letivos fiquem interrompidos, com prejuízo para a evolução académica dos alunos afetados.

Também se verificam ainda desigualdades no acesso à educação baseadas no género, com um menor número de meninas escolarizadas e também na localização geográfica, com uma diferenciação entre o meio urbano de Bissau e o meio rural.

Ao sermos conscientes de que a Educação é uma das armas mais poderosas das que dispomos para quebrar o ciclo da desigualdade, podemos concluir que é muito importante o trabalho das organizações da Sociedade Civil nesse sentido. Prestar apoio às carências do sistema é um dos trabalhos mais imediatos. Mas não só. Também é muito útil a introdução de novas práticas, que se têm revelado como um recurso pedagógico para os atores do próprio sistema de ensino, ao assinalar os défices estruturais. 

A Sol sem Fronteiras leva vários anos a desenvolver projetos na área da Educação na Guiné-Bissau, trabalhando para melhorar as infraestruturas e a qualidade do ensino. Por isso ficamos gratos a todos os que respondem positivamente às nossas propostas, como o caso da Sábado. E também agradecemos a todos os doadores, parceiros e cofinanciadores que fazem possível a continuação desta luta. Obrigado por estar ao nosso lado!


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