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História de vida | Djala

A Djala é uma das habitantes da pequena vila de Contuboel, na Guiné-Bissau, onde mora junto com os seus filhos, todos ainda crianças. A sua casa fica ao pé do Centro Educacional Irmã Valdelícia, gerido pelas irmãs da Congregação de Santa Teresinha do Menino Jesus.


Apesar da Djala professar a religião muçulmana, trabalha no CEIV como cozinheira, sendo um claro exemplo da convivência inter-cultural e inter-religiosa que faz parte da identidade da Guiné-Bissau. Pelas manhãs, acode ao seu posto de trabalho no refeitório do Centro Educacional, construído ao abrigo do projeto "Aprendizagem Inclusiva” que resultou da parceria entre a Solsef e a Congregação Santa Teresinha do Menino Jesus, e que contou com o cofinanciamento do Instituto Camões, I.P.. Junto com mais três colegas, prepara o almoço para os alunos à maneira tradicional da Guiné-Bissau. A seguir à refeição, a Djala e as colegas também são responsáveis pela limpeza e arrumação das instalações, que ficam prontas para serem usadas no dia a seguir.


História de Vida de Djala

A Djala na horta comunitária de Contuboel, de regresso à casa depois de um dia de trabalho


Mas o dia da Djala ainda não finaliza. Pela tarde ainda tem de ir até a horta comunitária localizada à entrada da vila, para tomar conta da sua parcela. A horta é uma grande extensão de terreno, dividida em pequenas partes, onde são plantados legumes, principalmente para o consumo familiar. O trabalho agrícola é realizado em diferentes fases. Na primeira, são os homens os que preparam a terra. Logo a seguir, as mulheres ficam encarregues por semear os produtos hortícolas, que no caso de Contuboel são principalmente cebolas e arroz. Uma vez que já estão plantadas, também são as mulheres, com ajuda das crianças, as que tratam do cuidado e da rega dos vegetais enquanto estes estão a crescer, e finalmente da sua colheita. 


O trabalho na horta contribui de forma determinante para a segurança alimentar na Guiné-Bissau. Perto do 84% da população ativa do país trabalha no setor agrícola, o que representa o 46% do produto interior bruto. No entanto, ainda que a situação nos últimos tempos tem vindo a melhorar, a Guiné-Bissau continua a registar um défice alimentar de cerca de 90 mil toneladas, em média. A produção nacional bruta de alimentos é insuficiente para dar resposta às necessidades alimentares dos seus habitantes, segundo os dados da FAO. Por isso o facto das mulheres terem um terreno, ajuda a atenuar as deficiências estruturais do país, e a facilitar o acesso das famílias a alimentos.


Como a agricultura tem um peso tão importante na economia e na vida dos habitantes do país, muitas organizações estão a desenvolver projetos nesse âmbito. Principalmente com o intuito de melhorar o acesso da Djala, e das outras mulheres como a Djala, a formação e a linhas de crédito que lhes permitam adquirir sementes, fertilizantes e outros materiais.


A determinação da Djala, e de tantas outras mulheres tão fortes como ela, que estão a lutar por melhorar as condições de vida das suas famílias e das suas comunidades, é uma linda inspiração para nós, a equipa da Sol sem Fronteiras. Muito obrigada por servir-nos como exemplo.


 

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