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Missão Nakumi | Testemunhos do Pe. Cláudio e da Catarina

Há pouco mais de um mês que os doze participantes do projeto Missão Nakumi regressaram de Itoculo (Moçambique), o local no qual decorreu o este projeto de voluntariado.


Após as emoções dos primeiros dias, espalhadas entre cá e lá, e a partilha com os entes queridos das lições aprendidas durante o processo, a equipa teve tempo de refletir mais profundamente sobre o significado e os resultados projeto. Todos eles voltaram com a certeza de que esta experiência os tem mudado para sempre e de que a convivência com a comunidade de Itoculo os ajudou a construir uma nova maneira de olhar o mundo, por isso querem partilhar connosco estas aprendizagens.


O Pe. Cláudio Belo explica: "Itoculo tem algo transcendente, algo que nos marca por dentro, que "queima”, que torna o nosso olhar diferente…mais próximo, mais atento, mais sensível.” E salienta que passou "dos melhores momentos que vivi nestes 43 anos de existência.” Uma das coisas que mais o impressionou foi a criatividade das crianças. "As crianças de Itoculo criam os brinquedos, desde o pau no pneu, aos farrapos para fazer uma bola, ou ao carrinho feito de madeira com um cordão para puxá-lo…Muitas saudades daquelas crianças.” O voluntário também destaca a hospitalidade com que foram recebidos, que é para os habitantes de Itoculo uma questão cultural e, portanto, que brota deles naturalmente: "O que me encantou é que as pessoas dão tudo, tudo! (…). Itoculo é uma escola do verdadeiro acolhimento cristão e doação completa ao próximo, e isso notou-se também na equipa missionária que nos recebeu (Pe. Raúl, Pe. Edmilson, Gabriela, Cristina e as Irmãs). Sem dúvida que são um exemplo para todos nós.” Para finalizar o seu testemunho, o Pe. Cláudio destaca uma aprendizagem sobre a Missão: "Acredito que a arma secreta dos missionários é jamais perder a esperança.”


  

O Pe. Cláudio teve ocasião de experimentar a hospitalidade dos habitantes de Itoculo

  


Momentos de partilha com a comunidade local

 

Também a Catarina Felgueira quis partilhar connosco as suas reflexões sobre o projeto. Destaca da forma de ser da comunidade a facilidade que tem para estabelecer laços de confiança: "Salama. Boa tarde. Tudo bem? Era assim que começavam todas as conversas. Mas as pessoas diziam mesmo se estavam bem ou não, se lhes doía um braço, um dente, mesmo que tivessem tido malária há um mês contavam e diziam que já estavam melhores e a partir daí não faltavam temas de conversa. Foram 3 semanas que pareceram 3 dias e, ao mesmo tempo, a nível de experiência de vida parece que se passaram anos.” A Catarina conheceu de perto a realidade de Itoculo, que presenta algumas dificuldades muito diferentes da portuguesa. "Há jovens que nunca foram à escola, como é o caso do Dinis de 18 anos, que vive na aldeia da minha família de acolhimento. Perguntei-lhe porquê que não vai à escola (tinha um tradutor ao lado porque quem não vai à escola geralmente só fala macua), e ele disse-me que mais próxima ficava a 2 horas de distância. Imaginem 4 horas a pé todos os dias para deslocar-se até lá.” Por isso a Catarina ficou muito impressionada com o trabalho social desenvolvido pela Equipa Missionária de Itoculo: "Eu não fazia ideia da importância do trabalho do Pe. Raul lá em Itoculo. É graças a ele e a outros espiritanos que lá estão que muitos jovens conseguem ir à escola porque ficam nos lares, que crianças têm onde brincar e comer por existir a escolinha ou bebés que recebem apoio alimentar no centro de nutrição... Mas fazem isto tudo porque têm ajudas de pessoas de cá, padrinhos dos lares que todos os anos dão uma contribuição, padrinhos de crianças que ajudam a pagar os estudos, padrinhos do centro de nutrição que apoiam a alimentação dos meninos…” E a Catarina conclúe:"Antes de ir eu dizia à minha mãe "toda a gente diz que quando voltar serei uma pessoa diferente, que aquilo muda as pessoas” e eu não acreditava muito.Como é que apenas 3 semanas poderiam fazer isso? Mas a verdade é que mudou, e espero ter conseguido transmitir um pouquinho da missão de Itoculo a todos vocês, que nos ajudaram a ajudar. Muito obrigada. Koxukuro.”




A Catarina realizou muitas atividades com crianças e jovens


Este projeto de voluntariado foi organizado por um grupo de paroquianos de Vitorino dos Piães, Poiares e Navió, com a ajuda do Pe. Cláudio Belo, e contou com o apoio do Pe. Tiago Barbosa e da Sol sem Fronteiras na gestão e na formação dos voluntários.


Nos próximos dias continuaremos a divulgar mais testemunhos dos voluntários. Fica atent@!


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