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VME em Itoculo | Notícias dos primeiros meses da Gabi e da Cristina

 

Desde o início de 2020 que a Gabi e a Cristina retornaram a Moçambique, e renovaram o seu compromisso para com a Missão de Itoculo e todas as 83 comunidades que apoia.


Este ano mudaram um pouco de funções, sendo que a Cristina está mais envolvida nos projetos de Educação da Paróquia e da Diocese (embora sempre a partir de Itoculo), e a Gabi está mais dedicada à Biblioteca da Missão e ao apoio extraescolar dos jovens dos Lares e da Escola Secundária.


Mas neste momento difícil para todos, em que o isolamento social é a melhor forma de evitarmos o contágio do corona vírus, também em Itoculo se fazem sentir as dificuldades de vivermos distanciados uns dos outros.


Desde dia 21 de março que saíram indicações do governo e dos bispos Moçambicanos, e foram fechadas as escolas, canceladas todas as celebrações religiosas, proibidos os ajuntamentos de mais de 50 pessoas e é aconselhado a todas as pessoas que permaneçam o mais possível nas suas casas. Desde 1 de abril, que foi declarado o estado de Emergência, até dia 30 do mesmo mês.


Em Itoculo, chegam-nos o testemunho da Gabi e da Cristina. As actividades pastorais da Missão foram suspensas, os Lares foram encerrados e os jovens foram enviados para as suas casas. A Biblioteca também foi encerrada. Só o Centro de Nutrição continua a atender as mamãs e bebés, com as necessárias medidas de segurança, para poderem continuar a assegurar a alimentação reforçada dos bebés subnutridos.


 






















Com Domingos, colaborador na Biblioteca, que tem dado aulas de makua à comunidade de Itoculo.

 

Na última semana de março, quando começaram a anunciar as primeiras medidas de contenção, foram preparados cartazes com informação de segurança e medidas de higiene, a explicar o que é o corona vírus e quais as medidas que as pessoas devem adotar para prevenir o contágio. Diz-nos a Gabi que "Tentamos passar a informação a todas as comunidades da nossa Paróquia, reunindo com os anciãos e colocando alguns avisos e medidas de prevenção em todas as capelas”. A equipa missionária organizou-se de modo a reunir e explicar a situação do país e do mundo aos responsáveis das comunidades para que estes pudessem passar a mensagem: as celebrações estão suspensas, não haverá a festa da Páscoa nas comunidades, todas as atividades ficam sem efeito até ordem em contrário, e todos devemos ficar e rezar em casa para evitar ao máximo a propagação do vírus. "Prevenção é a palavra de ordem e por isso está tudo encerrado... escolas, igrejas, instituições das igrejas...”, diz a Cristina.


 

"Não é fácil pedir às pessoas que fiquem em casa”, conta-nos a Cristina, "pois é na Igreja que as pessoas se congregam e partilham a sua fé e a sua vida. Também será difícil controlar as feiras onde se juntam centenas de pessoas, que levam os alimentos das suas hortas e machambas para vender, e assim trazer rendimentos para o sustento das suas famílias. Se não vendem, não têm como comprar outros bens essenciais. Estamos na expectativa para perceber o que vai acontecer.” Há também a preocupação das aulas: "Em primeiro lugar a saúde, claro, mas num país onde as oportunidades na educação já são tão poucas, dói muito viver este isolamento e saber que as crianças e os jovens deixam de ter qualquer acesso à educação... Nas notícias, falam em teleescola através de um canal televisivo nacional, mas se acontecer, será só para quem vive em Maputo. Aqui a maior parte das famílias não tem televisão. Na zona de Itoculo e comunidades que fazem parte da Paróquia, a rádio é o meio de comunicação mais acessível, mas nas comunidades mais isoladas é, sem dúvida, a Igreja que faz chegar a informação... em tempos de pandemia, este é um grande desafio para nós."


 

No entanto, a esperança é importante e é o testemunho da comunidade missionária que também faz ver às pessoas a importância do isolamento. E as voluntárias contam-nos como vivem a missão dentro de portas: "Aqui em Itoculo está tudo calmo e a cumprir as regras de prevenção! A passar o tempo entre aulas de macua e organizar alguns trabalhos” diz-nos a Gabi, "Mais tarde vamos pôr as aulas de Macua a render” acrescenta a Cristina.

 

 













Aulas de macua com o professor Domingos e o caderno de apontamentos da Cristina


Macua é o dialeto que se fala nesta região, e o professor é o Domingos, colaborador da biblioteca da missão que como agora se encontra fechada, o Domingos tem tempo para ensinar os 9 elementos da equipa missionária a aprofundar mais os seus conhecimentos da língua. E as aulas são sempre adaptadas ao contexto em que vivemos, com a comunidade a aprender a falar do coronavírus para que possa passar informação à população de forma acessível a todos.


 

Tudo vai passar, tudo vai ficar bem, como diz o slogan de esperança que percorre o mundo inteiro e em todas as línguas. "Em Moçambique também dizemos 'Enarowa okhala yorera!' Vai passar ❤ e as escolas vão abrir, os nossos laristas vão regressar e a biblioteca vai voltar a encher ❤ e nós vamos estar aqui à espera de todos eles” é a mensagem de esperança das nossas voluntárias em Itoculo.

 


 

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