27 de Setembro, 2022

Últimos dias do Missão Cor Unum

O voluntariado do grupo Missão Cor Unum, que está a decorrer na  Diocese de Ponta de Pedras, no Marajó (Pará – Brasil) está quase a chegar ao fim. Isto significa que os 11 voluntários do projeto, fruto da parceria entre os Missionários do Espírito Santo e a Solsef, já começaram a despedir-se dos novos amigos e a prepararem-se para voltar à “realidade” em Portugal. No entanto, reservaram um tempo para escrever uma notícia e partilhar com todos nós as atividades que realizaram nos últimos dias do projeto Missão Cor Unum.

Quinta-feira, 22 de Setembro – Camará e Umarizal

Neste dia, visitámos duas comunidades: Camará e Umarizal. Bastou uma viagem de carro de cerca de 45 minutos para chegar a Camará e foi lá que nos encontrámos com a coordenadora da comunidade – a Adelaide – e onde começámos o nosso dia. Após uma breve oração, metade do grupo permaneceu neste lugar, onde visitou famílias e fez atividades com crianças durante a tarde. A outra metade rumou ao Umarizal – uma comunidade vizinha – e preencheu todo o seu dia com visitas às famílias. Ao final da tarde reencontrámo-nos em Camará, cuja comunidade nos ofereceu o jantar e onde tivemos um encontro com os jovens, outro com os casais e outro com as crianças.

Apesar destas comunidades estarem ainda enlutadas pela perda de algumas pessoas num recente naufrágio, fomos calorosamente recebidos e tivemos o privilégio de conhecer a realidade das famílias destas comunidades e de escutar os sonhos dos jovens e os desafios que enfrentam. São notáveis os esforços destes jovens para se deslocarem até onde estudam, para perseguir os seus sonhos e manter a esperança. Quanto aos casais, a abordagem adotada foi a da procura e promoção do diálogo. Através de uma dinâmica com cartas temáticas, cada uma com diversas perguntas para o casal refletir, as famílias foram convidadas a tomar cerca de 20 minutos de diálogo entre os dois para aprofundar aquele tema. No final, cada casal levou para casa um baralho que pudesse usar para continuar esta dinâmica recorrentemente, ajudando a promover o diálogo de forma mais dinâmica.

Sexta-feira e Sábado, 23 e 24 de Setembro – Aranaí e Chipaiá

Sexta-feira adivinhava-se já um dia muito longo. A distância até Aranaí, uma comunidade ribeirinha, percorreu-se de carro (por alcatrão e terra) e de rabeta (um barco mais pequeno a motor). A viagem foi atribulada, com dificuldades no carro e alguns imprevistos e demorámos um pouco mais de 1 hora e meia a chegar. Ainda assim não foi suficiente para experienciarmos as verdadeiras dificuldades de locomoção e transporte que estas comunidades enfrentam diariamente. Mais uma vez, fomos calorosamente recebidos pelos coordenadores da comunidade e passámos boa parte da manhã na escola fundamental de Aranaí. Aqui, dividimos mais uma vez os nossos dons e os nossos esforços; alguns fizeram atividades com as crianças do ensino infantil e outros deram formação em Saúde e Primeiros Socorros com as turmas e professores do 6.º e 7.º ano.

Parámos para um almoço oferecido pela comunidade do Aranaí, tomado à beira da praia, e dividimos o grupo mais uma vez. Metade permaneceu em Aranaí, onde pernoitou nessa noite, e a outra metade rumou a Chipaiá, outra comunidade ribeirinha, onde ficou até ao final do dia de Sábado.

Em Aranaí visitámos algumas famílias, houve um encontro com a comunidade, com os casais, atividades com as crianças e ainda um encontro com os jovens que foi riquíssimo em partilha de histórias de vida.

Paralelamente, em Chipaiá, ficámos também a conhecer os jovens e as crianças da paróquia, e visitámos algumas famílias. Foi uma alegria ter as portas destas casas abertas a nós, especialmente aquelas em que viviam jovens portadores de deficiência. São um verdadeiro exemplo de dedicação familiar e de integração na comunidade.

Ao final do dia de sábado, o grupo voltou a reunir-se e regressou a Cachoeira do Arari.

Chegados à Matriz, festejamos o aniversário da Ir. Ramona, da Congregação da Maria Imaculada Conceição, a comunidade de religiosas presente aqui na Paróquia, com um jantar celebrativo com algumas surpresas.

Domingo, 25 de Setembro – Cachoeira do Arari e Gurupá

Na manhã deste Domingo, apenas quatro de nós ficaram em Cachoeira do Arari para trabalhar e fazer atividades com as crianças da catequese. Em parceria com os catequistas da paróquia, organizámos uma gincana bíblica, bem divertida, recheada de perguntas e jogos.

Os restantes membros da nossa equipa visitaram a comunidade de Gurupá, uma comunidade de descendência Quilombola. Aqui, houve um momento de partilha por parte da comunidade para podermos perceber melhor o que é uma comunidade Quilombola.

Trata-se de uma comunidade descendente dos escravos vindos do continente africano, nos navios negreiros, nos séculos XVII e XVIII. Esta comunidade está na fase final de obter o estatuto oficial com todos os direitos previstos de uma comunidade quilombola: já tem a delimitação de terras oficializada (não é por famílias, ou por terreno privado, mas sim por terreno comunitário, de todas as pessoas que vivem em Gurupá), o estudo genealógico já foi feito, entre outras coisas. É um processo que se iniciou em 2002 e que ainda está nos trâmites finais para ser assinado pela Presidência da República. Esperemos que consigam brevemente!

No final desta partilha, conduzimos um encontro de lideranças da comunidade, partilhámos um almoço que nos foi generosamente oferecido, e houve ainda tempo para um banho no rio!

Ao final da tarde, participámos na Eucaristia em honra da padroeira de Cachoeira do Arari – Nossa Senhora da Imaculada Conceição – por ocasião da inauguração da nova praça da igreja matriz e da bênção da imagem de Nossa Senhora. Após a Eucaristia, foi divulgado o cartaz do Círio – uma festividade em honra da padroeira que decorre todos os anos, entre 8 e 18 de Dezembro.

Esta Eucaristia foi particularmente especial para nós pois festejámos também o sexto aniversário de casamento do Luís Santos e da Raquel Carreira. Todo o grupo – e o casal em particular – foi brindado com a generosidade da comunidade, que preparou um jantar para celebrar este dia.

Segunda-feira, 24 de Setembro – Cachoeira do Arari e Gurupá

Hoje, segunda-feira, é dia de arrumações e limpezas mas também de preparação do último encontro que teremos com a comunidade: será um encontro cultural com partilha da gastronomia do Marajó e de alguns pratos portugueses, de danças típicas de ambos os países e algumas curiosidades. Amanhã partiremos bem cedinho para apanhar o barco de regresso a Belém, de onde apanharemos o avião para Lisboa. O Dom Teodoro aguarda-nos e irá passar um último dia com o grupo pela capital do estado do Pará. Ainda não deixámos o Marajó, mas já temos saudades!