25 de Outubro, 2025
Crescer com Direitos: diagnóstico de uma escola inclusiva em construção
Na Escola Básica n.º 1 da Póvoa de Santa Iria, o projeto Crescer com Direitos começou com uma pergunta: como tornar a escola inclusiva? Em outubro de 2025, a equipa da Sol sem Fronteiras deu início ao trabalho no terreno com um questionário a docentes e não docentes e um grupo focal com professoras do 1.º ciclo, para traçar uma linha de base e perceber o que existe, o que falta e onde é necessário atuar.
Quem está nesta escola
A EB1 da Póvoa de Santa Iria tem 270 alunos distribuídos por 14 turmas do 1.º ao 4.º ano. É uma escola marcada pela diversidade, com crianças de origem cabo-verdiana, bengali, brasileira, ucraniana, senegalesa e moçambicana, entre outras. Cerca de 17,5% dos alunos beneficiam de Ação Social Escolar, um apoio do Estado atribuído a famílias com menores recursos económicos, que ajuda a garantir acesso a refeições, material escolar e outros apoios essenciais. Além destes dados, os professores identificam ainda situações de vulnerabilidade que não constam das estatísticas formais.
Do lado dos adultos, 25 docentes e auxiliares educativas trabalham diariamente nesta escola e foram elas o ponto de partida do diagnóstico feito pela Solsef.
É a EB1 uma escola inclusiva?
Os resultados mostram uma comunidade docente com valores inclusivos muito claros. Quase todos os professores acreditam na escola inclusiva e que a diversidade enriquece a aprendizagem, e a maioria defende que todos os alunos devem aprender juntos, independentemente das suas características.
Por outro lado, os incidentes de discriminação entre alunos são raros e, quando ocorrem, os docentes referem que são habitualmente resolvidos através do diálogo com a turma.
O diagnóstico revelou, no entanto, algumas necessidades concretas. A formação em inclusão é considerada insuficiente pela maioria dos inquiridos, com destaque para a preparação para trabalhar com alunos de diferentes origens linguísticas e culturais, e para o envolvimento de famílias migrantes ou em situação de vulnerabilidade. Os recursos humanos especializados, como docentes de português língua não materna ou técnicos de necessidades educativas especiais, surgiram como a principal necessidade identificada.
O que o grupo focal acrescentou
Além dos dados do questionário, o grupo focal com as professoras do 1.º ciclo permitiu compreender o contexto por trás dos números.
Segundo as próprias professoras, a escola tem uma cultura de colaboração entre docentes sólida e os alunos demonstram empatia e acolhimento natural perante a diversidade dos colegas. Isto é relevante porque o projeto Crescer com Direitos chega a uma escola inclusiva com valores já presentes, mas onde fazem falta algumas ferramentas práticas para os concretizar no dia a dia. É precisamente aí que este projeto começa: a reforçar e a dar estrutura ao que já está a acontecer por esforço e intuição.
A partir daqui
Os dados recolhidos nesta fase estabelecem a linha de base do projeto. No final do ano letivo, os mesmos docentes voltarão a ser questionados e será essa comparação que permitirá medir o impacto real das intervenções realizadas ao longo do ano.
Enquanto isso, o projeto avança para a ação. Em novembro, arrancam já primeiras sessões pedagógicas com todas as turmas da escola, dedicadas à empatia e à diversidade.
Este projeto é uma parceria entre a Sol sem Fronteiras e o Agrupamento de Escolas da Póvoa de Santa Iria (AEPSI) e conta com o apoio do BPI | Fundação “la Caixa”.
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