14 de Março, 2026

Educação pré-escolar inclusiva para 300 crianças arranca em Moçambique

Trabalhar por uma educação pré-escolar inclusiva foi o objetivo que levou, em fevereiro, a nossa colega Chiara até Nampula, no norte de Moçambique, para o arranque oficial do projeto Aprender para Crescer. Acolhida pelos Missionários do Espírito Santo, passou vários dias entre reuniões com educadores, visitas a jardins de infância do bairro de Marrere e conversas com famílias e líderes comunitários.

Porquê este projeto e porquê agora

No bairro de Marrere existe apenas um jardim de infância privado, com propinas inacessíveis para a maioria das famílias. Menos de 1% das crianças do distrito portadoras de deficiência frequenta qualquer serviço de apoio e os educadores que existem não têm formação para trabalhar com crianças com necessidades educativas específicas. Além disso, os encarregados de educação, muitos com baixa escolaridade, tendem a não valorizar a pré-escola como etapa essencial.

É este o ponto de partida do Aprender para Crescer: um projeto de três anos que quer mudar o que acontece antes do ensino básico, porque o que acontece antes determina em grande medida o que acontece depois.

O que o projeto vai fazer: Educação pré-escolar inclusiva

O Aprender para Crescer tem três frentes de trabalho.

A primeira é o diagnóstico e mapeamento. Esta fase inicial, que decorre ao longo de 2026, passa pelo levantamento das necessidades dos jardins de infância da zona e pela identificação de crianças com necessidades educativas específicas. A partir desse trabalho será construída uma checklist simples e adaptada à realidade local, que ajudará os jardins de infância a terem uma educação pré-escolar inclusiva. Até novembro de 2026, o objetivo é que 80% dos jardins da região a tenham aplicado parcialmente ou na totalidade.

A segunda é a formação de educadores. A partir de 2027, 50 educadores e monitores dos jardins de infância da região de Nampula participarão num programa de 150 horas centrado em metodologias inclusivas, técnicas lúdicas, saúde infantil e gestão de turmas diversas. A maioria destes educadores são mulheres, num setor onde isso é a norma, e muitos nunca tiveram acesso a formação estruturada.

A terceira é o trabalho com as famílias e a comunidade. Através de oficinas parentais e campanhas de sensibilização, o projeto quer que a pré-escola deixe de ser vista como acessória. Pais e mães serão envolvidos na gestão escolar, para que a comunidade tenha voz no que acontece dentro dos jardins de infância e, entre todos, consguir uma educação pré-escolar inclusiva quem em casa, quem na escola.

No final dos três anos, o projeto prevê beneficiar diretamente 300 crianças dos 3 aos 5 anos, metade meninas, incluindo crianças com NEE e crianças deslocadas de zonas de conflito, nomeadamente de Cabo Delgado.

O que Chiara foi fazer ao terreno

A visita de Chiara marcou o arranque oficial do projeto e esteve centrada num trabalho de coordenação com a Terre des Hommes Itália e a FEC, responsável pela realização de algumas das atividades no terreno. Ficou definido quem faz o quê ao longo dos três anos, um alinhamento essencial para que um projeto com várias organizações envolvidas funcione com clareza e sem sobreposições.

A parte central da visita foram os encontros com a comunidade de Marrere. Chiara esteve presente em reuniões com pais, mães e líderes locais, as primeiras de uma série que se irá repetir pelos diferentes quarteirões do bairro e que vão alimentar o diagnóstico de 2026. Paralelamente, visitou associações e organismos que já trabalham na área da educação pré-escolar inclusiva em Nampula, para perceber o que existe, o que falta e onde o projeto pode encaixar sem duplicar esforços. É desta rede que o Aprender para Crescer vai precisar para funcionar, tornando-se parte de um ecossistema local que já tem pessoas, saberes e relações no terreno.

Parceiros e financiadores

O Aprender para Crescer é desenvolvido pela Solsef em parceria com os Missionários do Espírito Santo em Moçambique e a Terre des Hommes Itália, com a colaboração da FEC — Fundação Fé e Cooperação e o financiamento da Misereor, organismo da Igreja Católica alemã dedicado à cooperação para o desenvolvimento.

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