15 de Janeiro, 2026
Um projeto social em São Paulo construído pela própria comunidade
No distrito do Iguatemi, Zona Leste de São Paulo, a esperança de vida média é de 59,3 anos, vinte anos menos do que nos bairros mais ricos da cidade. A taxa de emprego formal é a segunda mais baixa de São Paulo: 0,4 posto por cada dez habitantes em idade ativa. Não há novos equipamentos públicos de saúde, educação ou cultura desde há décadas, e mais de 500 famílias vivem em ocupações sem acesso regular a políticas públicas.
É neste território que a Comunidade São Pedro decidiu construir um centro social, e decidiu construí-lo ela própria. Hoje, as obras dete projeto social em São Paulo estão quase concluídas.
Quase no fim da obra, já a pensar nas atividades
As obras arrancaram em 2024 e contaram com membros da comunidade que, aos sábados, se juntaram em mutirão. Além deste trabalho voluntário, a contribuição local representa 42% do orçamento total, que está a ser completado com as Campanhas de Solidariedade da Família Espiritana.
Atualmente, a alvenaria deste projeto social em São Paulo está praticamente concluída e, com o espaço quase pronto, a comunidade começa a organizar o que virá a seguir. A rede de parcerias já existia: a Unidade Básica de Saúde usa os espaços da paróquia para consultas regulares, estagiários de psicologia fazem terapia de grupo com famílias da comunidade e a W-CFO Brazil oferece formação financeira para mães e famílias acompanhadas pela pastoral social. O centro social não vai criar algo de novo: vai dar espaço físico ao que já acontece.
O centro tem três salas e um salão com cozinha. O programa de atividades vai na direção do que já se faz na paróquia: acesso a recursos educativos e formativos, saúde preventiva e apoio psicossocial em parceria com instituições locais. A intervenção deste novo projeto social em São Paulo deverá beneficiar diretamente 554 pessoas e alcançar mais de 1.300 de forma indireta, com especial incidência junto de mulheres e crianças.
Porquê este projeto social em São Paulo e porquê agora
A Paróquia Santa Teresa de Calcutá é um exemplo de um problema que se repete em muitos bairros periféricos de São Paulo: o crescimento populacional acelerado por novas ocupações não foi acompanhado por investimento público em serviços. Por este motivo, os equipamentos socioassistenciais existentes datam das décadas de 1980 e 1990 e o último Centro para Crianças e Adolescentes foi inaugurado em 2005. Entretanto, a população cresceu, a crise económica agravou-se e os jovens ficaram cada vez mais tempo sem supervisão adulta, num território onde o tráfico de droga está presente desde cedo.
Neste contexto, um espaço de encontro, formação e cuidado não é uma resposta a um problema pontual, mas uma resposta a uma ausência de décadas que o Centro Social São Pedro chegou para solucionar.
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