10 de Janeiro, 2026

Banco de Bolsas em Contuboel: sete anos a garantir que nenhuma criança fica fora

A Irmã Reinanda, diretora do Centro Educacional Irmã Valdelícia (CEIV) em Contuboel, Guiné-Bissau, é clara quando explica para que serve o Banco de Bolsas de Estudo: “É fundamental para garantir que os alunos com necessidades educativas específicas, as meninas e os alunos de famílias muito grandes tenham acesso às mesmas oportunidades.”

São esses os alunos que o banco apoia. Mais concretamente, 37 no ano letivo 2025/2026, com propinas que vão de 45,73€ a 76,22€ por ano conforme o nível de ensino.

Em Contuboel, uma zona rural no norte da Guiné-Bissau, 45,73€ pode representar quase um mês de rendimento familiar para as famílias identificadas pelo centro educacional como as mais vulneráveis. Para muitos, o valor das proprinas é um valor que está fora do alcance e por isso, neste contexto, participámos na criação do Banco de Bolsas do CEIV.

Como funciona o Banco de Bolsas do Centro Educacional Irmã Valdelícia

O banco nasceu em 2019, a partir de um projeto de desenvolvimento comunitário em que a Solsef trabalhou na região de Contuboel entre 2018 e 2020. Quando o projeto terminou, a iniciativa ficou, gerida pelas Irmãs da Congregação de Santa Teresinha do Menino Jesus, que conhecem cada família e cada situação.

O modelo é simples: a escola identifica as crianças mais vulneráveis e o banco cobre as propinas. No ano letivo 2025/2026, isso representa um total de 1.850,68€ distribuídos por três níveis de ensino:

  • Pré-escolar ao 4.º ano: 45,73€ por criança (29 alunos)
  • 5.º e 6.º ano: 54,88€ por criança (4 alunos)
  • 7.º ao 9.º ano: 76,22€ por criança (4 alunos)

Financiamento partilhado, projeto contínuo

Ao longo de todos estes anos, o Banco de Bolsas teve diferentes financiadores, entre doadores individuais, instituições e iniciativas que em cada ano tornaram possível a sua continuidade. No ano letivo 2025/2026, o apoio chegou de donativos individuais em Portugal através do MB Way Solidário, iniciativa que elegeu esta como causa vencedora do Prémio MB Way Solidário, e da mobilização da Comunidade Escolar de Peniche na angariação de fundos.

Mudaram os financiadores, mas o que não muda é que o banco está ativo desde 2019 e que, a cada ano, cerca de 50 crianças completam o seu ano escolar por causa dele. Algumas, bolseiras desde o primeiro ano, já cresceram a já passaram para Bafatá, onde continuam o ensino secundário.

A Solsef regressa a Contuboel

Em 2026, a Solsef regressa à região com um novo projeto de formação de professores em várias escolas de Gabu e Bafatá, incluindo o Centro Educacional Irmã Valdelícia. O primeiro projeto e os seis anos de Banco de Bolsas criaram raízes: parcerias com instituições locais, conhecimento do terreno e confiança com as comunidades. É a partir daí que faz sentido continuar, e desta vez o foco serão os professores, cujo efeito multiplicador se mede em décadas e em centenas de alunos que lhes passam pelas mãos ao longo de uma carreira.

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