6 de Janeiro, 2026
O que aprenderam 270 crianças com educação inclusiva na prática
Entre novembro e dezembro, todas as 14 turmas da Escola Básica nº1 da Póvoa de Santa Iria participaram nas primeiras sessões do projeto Crescer com Direitos com crianças. Foram dois encontros de 90 minutos com cada turma, dedicados à educação inclusiva, diversidade e à empatia.
As sessões foram dinamizadas por Chiara Chillod, técnica de intervenção social da Sol sem Fronteiras, e desenhadas a partir do diagnóstico feito em outubro: as próprias professoras tinham identificado estes temas como fundamentais para uma educação inclusiva, mas pouco trabalhados de forma estruturada no dia a dia escolar.
O que cada criança acrescenta
A primeira sessão partiu de uma pergunta para as crianças: o que aconteceria se todos fossemos iguais?
Através do livro “Se uma árvore…” e de uma atividade de expressão criativa, as crianças refletiram sobre o que torna cada pessoa única e sobre o que se perde quando não há diversidade. No final, cada turma construiu uma “floresta” coletiva em papel de cenário, onde cada criança representou a sua própria árvore. Os cartazes vão ser expostos na escola durante a Semana dos Direitos Humanos, em junho.
Num dos momentos mais espontâneos das sessões, uma turma do 3º ano iniciou por conta própria uma conversa sobre “cor de pele” a partir dos marcadores que estavam a usar, um sinal de que estas crianças já pensam sobre diversidade, mesmo quando ninguém lhes pede.
Ver as coisas com os olhos do outro
A segunda sessão trabalhou a capacidade de perceber o que o outro sente e de olhar para as situações do ponto de vista dos colegas.
As crianças imaginaram a sua “escola dos sonhos” e discutiram o que é preciso para que todos se sintam bem. A partir daí, surgiram conversas sobre situações do dia a dia: como incluir um colega que chegou de outro país e ainda não fala português, como apoiar alguém que está a passar por um momento difícil ou como resolver um conflito sem magoar.
Um dos momentos mais interessantes desta sessão de educação inclusiva veio da Angélica, recém-chegada de Cabo Verde e que se expressa em crioulo. Ainda assim, participou ativamente e acompanhou a atividade. Foi um exemplo para as crianças daquilo que está a ser trabalhado no projeto: como a empatia e a inclusão se constroem no dia a dia e não dependem apenas da língua.
Educação inclusiva que continua fora da sala
Estas sessões são a primeira fase de intervenção direta com os alunos. Em janeiro, o projeto continua com os laboratórios de convivência, sessões de dança e movimento com a artista Marta Coutinho, que irão aprofundar o trabalho sobre diversidade e empatia através do corpo e da expressão.
O Crescer com Direitos é uma parceria entre a Sol sem Fronteiras e o Agrupamento de Escolas da Póvoa de Santa Iria (AEPSI) e conta com o apoio do BPI | Fundação “la Caixa”.
Deixe um comentário